Infecção por rotavírus

12/06/2018 15:42:15

Quem nunca teve uma gastroenterite? Só de lembrar já causa um certo mal estar, não é mesmo? E quando acontece com um bebê tão pequenino…. ou pior ainda quando, está acontecendo com o nosso bebê!

“…Dra, o meu bebê, que tem apenas 3 meses, já evacuou 8 vezes hoje, as fezes estão líquidas, ele está todo assado, chorando, irritado, sem dormir, tendo febre e acabou de vomitar 3 vezes… já está com o olho fundo e sem fazer xixi…” cenário esse bem frequente nos consultórios de pediatria!

A gastroenterite é uma infecção intestinal que causa sintomas incômodos, desagradáveis, que debilitam, podem levar à desnutrição, desidratação e internação hospitalar. A maioria das crianças se infectam nos cinco primeiros anos de vida, porém os casos mais graves ocorrem principalmente em crianças até dois anos de idade. Em adultos é mais rara, quando ocorrem surtos em espaços fechados, como escolas, ambientes de trabalho e hospitais.

Pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a infecção pelo rotavírus é a causa mais comum de diarreia em crianças menores de cinco anos em todo o mundo, sendo responsável por aproximadamente 600 mil mortes por ano e 40% das hospitalizações por gastroenterites.

Quais são os sintomas mais frequentes?

Diarreia caracteristicamente aquosa, com aspecto gorduroso e caráter explosivo, durando de 4 a 8 dias, geralmente acompanhada de bastante vômitos e febre;

Qual o intervalo entre a contaminação e início dos sintomas?

A doença apresenta curto período de incubação (tempo entre o contato com o vírus e início dos sintomas) com início abrupto, vômitos em mais de 50% dos casos, febre alta e diarreia importante, culminando em grande parte dos casos com desidratação;

Como é feito o diagnóstico?

Através da história e exame físico realizado pelo pediatra. Para confirmação viral, existe exames de fezes que detectam o rotavírus;

Sinais de alerta que necessitam avaliação médica imediata:

– Queda do estado geral;

– Febre por mais de 72hs;

– Sangue nas fezes;

– Diminuição do xixi;

– Sonolência ou irritabilidade;

– Recusa aceitação líquidos por boca;

– Choro sem lágrimas;

– Olhos fundos;

A avaliação médica é muito importante. O pediatra que deverá orientar todo o tratamento da criança, inclusive formas de hidratação oral.

Como é a transmissão?

A transmissão é através da eliminação viral nas fezes seguida de contato oral, seja por água ou alimentos, por contato pessoa a pessoa e objetos contaminados.

Formas de prevenção:

– Incentivo ao aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e complementado até 2 anos ou mais;
– Higiene das mãos, água, alimentos e utensílios que o bebê leva à boca;
– VACINA;

Sobre as vacinas:

A vacina é recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e utilizada em 89 países de todos os continentes em seus calendários de vacinação. Existem duas vacinas disponíveis:
1) Monovalente (Rotarix®/GSK), administrada via oral, em duas doses (aos 2 e 4 meses) adotada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI);
2) Pentavalente (RotaTeq®/Merck), com esquema de três doses, disponível na rede privada. Inúmeros estudos de efetividade têm demonstrado um grande impacto na redução de hospitalizações e óbitos relacionados a este agente em diferentes cenários epidemiológicos;

Quais as principais reações pós vacina?
Os eventos adversos mais comuns das vacinas rotavírus são: irritabilidade, febre, vômitos e diarreia.

A vacina pode causar alergia a proteína do leite de vaca ( APLV)?
NÃO! Até o momento NÃO existe NENHUM estudo que demonstre associação entre APLV em crianças vacinadas contra o rotavírus. A vacina pode, raramente (0,6%), causar sangue nas fezes pela hiperplasia nodular linfóide que na maioria dos casos é leve e não requer tratamento específico, mas necessita seguimento com o pediatra do bebê.

Resumindo: As Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm), Pediatria (SBP) e Alergia e Imunologia (ASBAI) reafirmam a eficácia e a segurança das vacinas rotavírus e recomendam o uso rotineiro no calendário vacinal da criança, face a grande importância e impacto que a doença tem na saúde infantil. A vacina reduz o risco de internação hospitalar e óbito!


Fonte: http://chk.com.br/vamos-falar-sobre-rotavirus/